tradução e identidade

01-04-2021 09:58

Paulo Faria in suplemento Ípsilon, jornal Público, página 7 [19.03.2021]

 

Na sequência deste artigo, intitulado "A literatura tem cor? A tradução tem cor? A identidade importa?", Ricardo Araújo Pereira publica na revista Visão:

O momento em que comecei a sentir-me esquisito foi quando li que a escritora portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida, citada por Isabel Lucas, no Público, tinha dito: “A ideia de que autores negros não devem ser traduzidos por brancos implica uma posição recíproca inaceitável: a de que, como mulher negra, não me é reconhecida a capacidade (mais ainda, o direito) de traduzir, por exemplo, Rousseau ou Flaubert.” E as tonturas pioraram quando ela acrescentou: “Imaginar que só uma mulher negra pode traduzir o que escrevo sugere que só uma mulher negra poderá compreender essa tradução e, portanto, que só posso ser entendida por leitoras negras.” Alguma coisa não estava bem porque eu, um caucasiano do sexo masculino, concordava com tudo. Como era possível? Era como se seres humanos com diferentes características morfológicas conseguissem entender-se. [ligação para artigo completo]